MARIANA SALLOWICZ
da Folha Online
Quatro setores da economia brasileira terão escassez de mão de obra qualificada em 2010, segundo pesquisa do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), divulgada nesta quarta-feira. O maior deficit será em comércio e reparação, com a falta de 187.580 trabalhadores. Na sequência estão educação, saúde e serviços sociais (-50.086), alojamento e alimentação (-45.191) e construção (-38.403).
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“Isso é um problema bom. A última vez que o Brasil teve problemas de escassez de mão de obra foi durante o milagre econômico. De lá para cá, nós nos acostumamos com a abundância dela”, afirmou o presidente do Ipea, Marcio Pochmann.
Para ele, este será um ano em que intermediação de mão de obra, qualificação e preparação dos profissionais passará a “ser um problema real”.
Por estado, haverá falta de trabalhadores qualificados no Paraná (-18.441), Santa Catarina (-13.300) e Rondônia (-4.531).
Nos demais setores e estados, porém, haverá sobra de trabalhadores, o que irá gerar um excedente de 652.961 profissionais aptos a entrar no mercado de trabalho, com experiência profissional e qualificação.
Os setores que terão maior oferta em excesso são: outros serviços coletivos, sociais e pessoais (612.239), indústria (145.948), agrícola (122.463), administração pública (46.874) e transporte, armazenagem e comunicação (46.304). Já os estados com mais sobra são a Bahia (183.770) e o Pará (53.637).
Fora do mercado
A pesquisa do Ipea aponta ainda que 6,2 milhões de trabalhadores ficarão sem emprego em 2010. “Desse total, cerca de 5,5 milhões dificilmente conseguirão emprego dada a baixa escolaridade ou falta de experiência profissional”, diz Pochmann.
A estimativa é que 24,8 milhões de trabalhadores estejam disponíveis para entrar no mercado de trabalho neste ano, sendo que 18,6 milhões serão contratados — 2 milhões pela criação de novas vagas e 16,6 milhões por rotatividade.
