Por: Eduardo Moraes
Por iniciativa da Igreja Católica, em parceria com o Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil (Conic), estamos vivendo, até o fim do período quaresmal, a Campanha da Fraternidade, cujo lema é “Vocês não podem servir a Deus e ao dinheiro”, com críticas à atual política econômica, um pedido de atenção às questões sociais e por uma nova economia solidária. Muito corajosa a iniciativa da Igreja Católica, que em tempos bicudos, de pouca vocação religiosa, provoca a sociedade brasileira a debater e refletir sobre egoísmo, ausência de solidariedade, comodismo de tudo esperar pelo Estado. O apelo e estímulo ao consumo exagerado através dos meios de comunicação, o convite a prostituição em todos os níveis, corrupção, violência, insignificância da família, enquanto núcleo gerador de inovações valorizando tudo o que tem de plausível na relação familiar, que mesmo debaixo de todo esse bom bombardeio, resiste e não abandona tradição e imposição de limites aos que em breve estarão no comando dos principais postos de poder da nação.
É corajosa sim a iniciativa da Igreja Católica, que lança uma campanha com um lema voltado para dialogar exatamente com a parcela da população vítima desse sistema capitalista desumano. A própria Igreja não corre risco em fragilizar ainda mais a sua já abalada estrutura econômica? É preciso lançar uma Campanha da Fraternidade que dialogue com os grandes monopólios e banqueiros do Brasil, onde 10% é dono de mais de 80% de toda a riqueza produzida no país enquanto 70% da população ficam com apenas 10% dessa riqueza.
Esta campanha logrará êxito se ao seu termino converter banqueiros e donos dos monopólios de mantimentos, medicamentos, saúde, educação, segurança… a compreenderem que quanto maior for à concentração de rendas, maior será a violência, miséria, corrupção e toda forma de desumanidade.
A maior vitória mesmo será o despertar da consciência dos setores oprimidos, alijados das oportunidades de uma vida com dignidade, para que eles se engajem em uma ampla, plural, fraterna e organizada frente de luta capaz efetivamente de transformar e revolucionar o Brasil, onde o dinheiro não esteja apenas a serviço dos 10% mais ricos, mas que efetivamente circule em uma economia justa e a serviço da justiça e dignidade humana.
