jul 31

O homem é um ser que trabalha e o seu trabalho transforma a natureza e a si mesmo. O mais importante dessa ação humana, está em servir o outro, e colocar a sua inteligência, a sua força e solidariedade, a serviço da coletividade de forma altruísta. É desse modo que continuarei pautando a minha vida, enquanto Deus permitir. Digo isso porque nos dias que antecederam a convenção partidária, que indicou os nomes do meu partido PC do B, às cadeiras da Câmara de Vereadores, passei a fazer uma reflexão sobre o papel que tenho desempenhado, enquanto cidadão, no dia-a-dia da cidade, independente de possuir um mandato, mas ao mesmo tempo, questionando a pouca empolgação, especialmente dos meus pares, com a minha decisão anterior, em colocar o meu nome para ocupar uma das vagas em disputa para o Legislativo do nosso Município.

Entendo que o homem é um ser político. Portanto, essa candidatura por representar os ideais classistas, deveria ser abraçada por todos, com força, como uma profissão de fé, pois se eleito fosse, o que acredito ser factível pelo desejo do eleitorado em mudanças, ali estaria para representar esses ideais de igualdade, liberdade e fraternidade. A ausência dessa vibração e a falta de idealismo, principalmente dos companheiros e companheiras de caminhada, aliado a falta de recursos financeiros, fez com que eu desistisse de participar, enquanto candidato, das eleições municipais deste ano para a Câmara de Vereadores e somente Deus é que tem conhecimento do que estou passando com esta decisão.
Quero agradecer aos meus familiares, parentes, amigos, amigas, conhecidos e desconhecidos, que se manifestaram durante todo esse tempo e que até aqui chegaram. A expectativa, a intenção de voto, apreço, apoio verbal e confiança que depositaram em meu nome para, aliado aos novos eleitos, dar novos ares a nossa Câmara, confiantes em minha capacidade empreendedora e inovadora, pois por onde passo, sempre imprimir um trabalho pautado na seriedade, competência e transformação social.
Quero pedir desculpas a todos por minha fraqueza ou erro de avaliação política, já que de acordo com o atual coeficiente eleitoral, a nossa coligação, composta pelo PC do B e PV, elegerá no máximo, 03 (três) dos nomes postos, como os já consolidados nomes de Fabrício Falcão, Vivalda Braga e Hudson Castro, dentre outros, pelo Partido Comunista do Brasil e o do professor Adão, pelo Partido Verde.
No entanto, a luta não pára e continuo a minha caminhada servindo Conquista a quem eu tenho dedicado as minhas forças e a minha vida. Peço a todos e a todas, o voto para o companheiro e amigo, Guilherme Menezes para prefeito e para os candidatos a vereadores e vereadoras pela nossa frente de esquerda, composta pelos partidos PSB, PV, PT e PC do B. Vamos juntos fazer de Vitória da Conquista, uma cidade cada vez melhor para se viver, um lugar onde a qualidade de vida dos homens, mulheres e crianças, seja a principal bandeira dos gestores públicos.
A minha bandeira é a bandeira do socialismo, com o fortalecimento da democracia e da politização coletiva, da solidariedade e não do individualismo, de uma cidadania mais participativa e consciente da coisa pública e sem privilégios.
Continuo servindo Conquista. Obrigado a todos e a todas!
Eduardo Moraes

Vitória da Conquista 07 de julho de 2008

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jul 31
probabilidade da dívida líquida do setor público (DLSP) ultrapassar o patamar de 50% do Produto Interno Bruto (PIB) nós próximos três anos é menor que 5%. Ao mesmo tempo, a possibilidade de se situar abaixo de 40% ao fim deste mesmo período supera 50%. Isso significa que a DLSP é sustentável em médio prazo e com forte tendência de queda. É o que afirmam os pesquisadores Mario Jorge Mendonça, Manoel Carlos Castro e Luiz Alberto Medrano. Na conclusão da pesquisa sobre a “Administração e sustentabilidade da dívida pública no Brasil: Uma Análise para o período 1995 – 2007″. Essa constatação é decorrente do contínuo superávit primário que o governo vem obtendo. Se a arrecadação de tributos fosse inferior às despesas, isso não seria possível. Esse resultado é positivo e dá credibilidade à economia brasileira. “A dívida pública tem sido bem gerida”, destaca Mario Jorge Mendonça.A partir de 2003 iniciou-se o processo de mudança na combinação entre risco e custo. A elevação da participação dos títulos prefixados e indexados aos índices de preços, bem como o processo de acumulação de reservas internacionais, elevou o custo da dívida pública. Em contrapartida, assegurou uma redução do risco sistêmico incidente sobre a dinâmica da DLSP. Com o aumento da meta do superávit primário, a dívida começa a experimentar um processo de redução consistente.”Na tentativa de obtenção de uma trajetória sustentável para a DLSP, os administradores públicos se deparam com um conflito entre o risco de refinanciamento e o custo da dívida”, revelam os pesquisadores. Eles também apontam que a decisão política de “blindar” a dívida pública, aceitando o custo decorrente dessa ação, é a principal característica da política fiscal no período de 2003 – 2007. Segundo os pesquisadores, alguns trabalhos já apontavam a sustentabilidade e redução a DLSP, o que foi confirmado por esta pesquisa.

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jul 31
Muitas escolas já retomaram suas atividades. Fui a uma delas e, depois de um período longe, é possível enxergar melhor alguns fatos que já nos acostumamos a presenciar e considerar normal, mas que de modo algum favorecem um clima bom para os alunos.
A primeira coisa é a chegada. Os pais fazem tamanha confusão nessa hora que os alunos já entram de modo conturbado num ambiente que exige concentração, foco, esforço e tranqüilidade. Malas enormes guardadas no porta-malas do carro exigem que os pais gastem um tempo para deixar o filho e seu material – exagerado, como já comentamos aqui – e os que ficam esperando atrás já se estressam: pais e filhos. Isso sem falar que quase todos os pais querem parar exatamente em frente ao portão escolar e que muitos deixam os filhos bem antes do início do período da aula.
Depois de começar o ritual escolar já dessa maneira agitada, os alunos entram com verdadeiras malas de viagem com rodinhas, correndo, e nem toda escola tem pessoal para tutelar esse momento. Resultado: é nessa hora e no horário de saída que muitos incidentes desnecessários ocorrem.

Depois, ao chegarem à sala de aula, o que tem de material de consumo absolutamente desnecessário que as crianças levam é uma coisa incrível. Isso gera distração, disputa e até pequenos furtos. Caderno, lápis e canetas simples é o suficiente. Vocês nem imaginam o tamanho dos estojos que eles levam, que fica caindo da carteira, provocando confusão, e as malas enormes precisam ficar no fundo da sala – quando não fora – para que o espaço seja mais das crianças do que de material.
E tem mais: agora é moda as crianças levarem brinquedos para a escola. Não precisa: com estes, elas devem brincar em casa. Na escola, devem aprender a brincar em grupo, a conviver, a inventar e aprender novas brincadeiras. Os pais não deveriam permitir que os filhos levassem brinquedos para a escola, mesmo os menores já que a escola tem material suficiente para seus alunos.
No final das contas, só para organizar o material a ser usado em aula na carteira, mexer naquela mala enorme etc. e tal, já vai meia hora. Meia hora que deveria ser usada para estudo.
Na hora da saída, me chama a atenção o grande número de crianças que ficam esperando os pais por até uma hora para irem para casa. Terminado o trabalho escolar, a criança deveria ir logo para casa, não é verdade?
Tudo isso atrapalha a vida escolar do aluno e depende só dos pais melhorarem essa situação. Que tal um esforço nesse sentido?
Escrito por Rosely Sayão

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jul 31
Cientistas britânicos desenvolveram uma droga que pode retardar o avanço do mal de Alzheimer. Testes da droga, conhecida como ‘rember’, em 321 pacientes mostraram que houve uma diferença de 81% na taxa de deterioração mental em comparação aos que não receberam tratamento. Os pesquisadores da Universidade de Aberdeen, na Escócia, disseram que a droga age sobre o acúmulo de uma proteína específica no cérebro. Especialistas no mal de Alzheimer estão otimistas com os resultados, mas disseram que são necessários agora testes mais amplos para confirmar sua eficácia. Ao apresentar sua pesquisa na Conferência Internacional sobre o Mal de Alzheimer, em Chicago, Claude Wischik disse que a droga pode ser lançada no mercado até 2012.

Testes-Pacientes com sintomas considerados leves ou moderados da doença receberam 30, 60 ou 100 miligramas da droga ou um placebo. A dose de 60 miligramas foi a que produziu efeitos mais evidentes – em 50 semanas (cerca de um ano) foram registrados sete pontos de diferença em uma escala usada para medir a gravidade da doença. Dados-Imagens obtidas com ressonância magnética sugeriram que a droga pode ter seu maior efeito em partes do cérebro responsáveis pela memória. A ligação entre o acúmulo de uma proteína dentro das células nervosas no cérebro e o mal de Alzheimer foi feita, pela primeira vez, há mais de cem anos. Mais tarde verificou-se que a proteína, chamada Tau, se acumula dentro das células envolvidas na memória, destruindo-as no processo. Rember, ou Cloreto de metiltionina, é o primeiro tratamento formulado especificamente para agir sobre Tau.Outros tratamentos para o mal de Alzheimer tendem a se concentrar no combate a uma proteína no cérebro, beta-amilóide, conhecida por formar plaquetas duras. O mais recente trabalho sugere que atuar sobre Tau pode produzir melhores resultados. Testes mais amplos da droga estão sendo programados para começar em 2009, e pesquisadores também estão investigando o seu papel na prevenção da doença. Clive Ballard, chefe de pesquisa da Alzheimer’s Society, disse que este “é um grande desenvolvimento novo no combate à demência”.Segundo ele, o resultado dos testes “sugere que a droga pode ter o dobro da eficácia do que qualquer tratamento disponível atualmente”.

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jul 31

Quando o presidente Raúl Castro falou na semana passada em um velho quartel militar onde ele e seu irmão mais velho Fidel iniciaram a revolução cubana há 55 anos, o Castro mais jovem parecia minúsculo em comparação à imensa imagem de seu antecessor pairando sobre ele.

Era um símbolo adequado para o governo de Raúl, que atua de bom grado à sombra de Fidel, ao mesmo tempo em que tenta forjar um caminho próprio.Raúl, cujos funcionários penduraram a imagem de Fidel na entrada do quartel de Moncada, em Santiago de Cuba, antes do feriado de 26 de julho que celebra um ataque fracassado ao quartel, disse que submete voluntariamente seus discursos para aprovação de seu irmão, mesmo quando planeja divergir do que seu irmão teria dito.As mudanças nas políticas também são submetidas a Fidel, mesmo quando se desviam das suas antigas posições. E Raúl não perde a chance de elogiar seu irmão nos discursos, o usando como um símbolo de vigor revolucionário, mesmo quando argumenta que a experiência socialista criada por seu irmão está ligeiramente fora de curso.Esta estranha dinâmica entre os dois irmãos se retratando como unidos, mesmo enquanto divergem de formas importantes, pode ser desajeitada, mas atende aos interesses de ambos. Raúl, que extrai grande parte de sua legitimidade do nome da família e da popularidade de seu irmão, é conhecido ente os cubanos não apenas pelo primeiro nome, mas por um gesto: um toque no queixo como se estivesse acariciando uma barba imaginária.E Fidel, que deixou o país em tamanho desarranjo financeiro a ponto de parecer se manter graças ao seu mercado negro, tem sua honra salva.Os dois homens são claramente diferentes em estilo, com Raúl bem mais modesto do que Fidel. Por exemplo, Raúl, 77 anos, recentemente sinalizou sua mortalidade quando o governo organizou uma excursão de ônibus para os repórteres, que mostrou onde o presidente seria enterrado ao lado de sua esposa falecida recentemente. O túmulo já tem o nome de Raúl gravado.Em comparação, os detalhes específicos do mal intestinal que levou Fidel – que completará 82 anos em agosto – a transferir o poder ao seu irmão, permanecem um segredo de Estado, e o local onde será enterrado é um grande mistério.O ex-presidente, que podia fazer um discurso com duração de horas e regularmente o fazia, não é visto em público há dois anos, mas parece tão disposto como sempre a manifestar suas opiniões. Sua nova forma de expressão parece ser por meio de uma série de reflexões que anota em um caderno e que os jornais do Partido Comunista zelosamente imprimem na primeira página como um furo de reportagem.Alguns dos recentes comentários de Fidel Castro pareciam um tanto defensivos, soando um pouco como um homem tentando defender seu legado, apesar de ainda participar ostensivamente de sua reforma.Após Raúl demitir o antigo ministro da Educação de seu irmão, Luis Ignacio Gómez, apenas dois meses após assumir a presidência em fevereiro, Fidel assumiu um crédito parcial pela medida, dizendo que Gómez tinha perdido seu zelo revolucionário.”Eu fui consultado e completamente informado”, escreveu Fidel sobre a decisão no “Granma”, o jornal do Partido Comunista, e outros veículos estatais.O comentário criticava Gómez por suas freqüentes viagens ao exterior e por assumir crédito pessoal pela reforma das escolas de Cuba, que são consideradas entre as melhores da América Latina. Mas o ensaio levantou a questão do motivo para Fidel não ter demitido um ministro tão desobediente durante os mais de 18 anos em que Gómez, que foi um ferrenho defensor de Fidel, ocupou o cargo.Posteriormente, Raúl anunciou novos incentivos para atrair professores aposentados de volta às salas de aula para compensar o déficit de 8 mil professores em toda a ilha, cuja maioria tem procurado por outros empregos melhor remunerados em Cuba ou fora da ilha. Ele reconheceu as “deficiências” no sistema educacional, que alguns cubanos viram como uma crítica ao programa implantado por seu irmão há quase uma década, para usar recém-formados no ensino médio como professores improvisados.Os pais cubanos que dispõem de recursos frequentemente contratam os professores aposentados como professores particulares para seus filhos, porque não confiam nas escolas, onde algumas classes ficam abarrotadas com 40 alunos.”Nós não deveríamos ter que contratar alguém por fora para que nossas crianças possam aprender”, disse Juan, pai de um aluno da terceira série, que criticou ambos os irmãos Castro, mas que teve medo de se identificar, por temer problemas com as autoridades.”Nossas escolas caíram em um buraco”, disse um veterano de 20 anos de magistério, que trocou as salas de aula por um salão de beleza porque disse que os salários eram baixos demais, menos de US$ 20 por mês. “Eu não me vejo retornando”, ele disse, também pedindo anonimato.Comentários como esses são ouvidos freqüentemente, dizem os cubanos, nas reuniões de bairro que Raúl encoraja para levar as deficiências à atenção das autoridades cubanas e para engajar a população no aprimoramento do socialismo de Cuba.Mas Fidel desdenha a idéia de que as salas de aula de Cuba estão sofrendo. “Eu não acredito, para começar, que estamos em uma situação tão ruim”, ele disse em um comentário recente.Fidel alertou em seus textos contra fazer “concessões vergonhosas à ideologia imperialista”, ao mesmo tempo em que Raúl permite maior acesso dos cubanos a celulares, aparelhos elétricos, hotéis para turistas e carros alugados.Ainda assim, Raúl tem buscado reforçar a idéia de que não há um racha entre os irmãos e que as mudanças representam um ajuste, não uma reforma. Durante um recente discurso para a Assembléia Nacional, ele disse que apresentou a Fidel os comentários que delineavam seu plano para a educação, se referindo ao seu irmão com o afago no queixo.”Às vezes é ele quem me passa as notícias internacionais que não tive tempo de ler”, Raúl disse sobre Fidel.Os dois homens, em seus novos papéis complicados, às vezes se vêem se comunicando por meio de intermediários. Raúl, por exemplo, disse que não ouviu diretamente de seu irmão sobre o discurso na Assembléia Nacional, mas sim que recebeu um telefonema de uma assistente, que transmitiu a palavra de que foi “perfeito”.Raúl, por sua vez, disse à assistente para parabenizar seu irmão.”Ela respondeu: ‘Parabenizá-lo?’” disse Raúl. “E eu disse: ‘Sim, parabenizá-lo, porque ele tem um irmão muito inteligente e que aprendeu tudo com ele.” Tradução: George El Khouri Andolfato
Visite o site do The New York Times

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jul 30
A noticiada divisão interna da Policia Federal pode comprometer o bom trabalho que vem sendo realizado pelo órgão no combate ao crime organizado, notadamente a partir de 2003, quando lhe foi dada ampla liberdade de ação. É claro que essa falta de unidade só interessa aos delinqüentes.
Na Satiagraha, por exemplo, operação de alta complexidade, o bulício foi tamanho que se temeu pela existência de um processo de abafamento por envolver notórias personalidades do mundo político e financeiro, praticantes de crimes com desvios de recursos públicos da ordem de bilhões de reais, capazes de corromper autoridades em todos os níveis dos Três Poderes republicanos. A operação-abafa, se viesse a ser confirmada, seria um insulto à opinião pública que quer algemas, cadeia e confisco para os envolvidos, sejam figurões do governo sejam figurões da oposição. Sem concessões!
Não vamos baixar a guarda. A sociedade, com a colaboração da mídia, deve se manter vigilante no desenvolvimento das ações da Operação Satiagraha, manifestando seu apoio ao excelente trabalho da Polícia Federal e do Ministério Público. Sabemos, todos, que os crimes financeiros são de difícil solução, e seus praticantes, profissionais experimentados, com ligações em paraísos fiscais, que tornam mais penosas as investigações. A teia é cada vez mais intrincada. Por isso, aqueles órgãos necessitam de recursos humanos e logísticos suficientes para produção de provas irrefutáveis que instruam o inquérito a ser encaminhado à Justiça. Que nenhum magistrado se interponha para suprimir instâncias, como ocorreu nos dois habeas corpus concedidos ao suspeito Daniel Dantas. O Brasil deve perseguir agora o grau de investimento no combate à corrupção.
29/7/2008
Lúcio Flávio V. Lima
SQS 303, G, 305 – 70336-070 – Fonefax (61) 3321-1092 – lucio.maisa@terra.com.br
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jul 30

O esporte brasileiro parece, enfim, ganhar forças, pelo menos em termos orçamentários. Depois dos Jogos Pan-americanos no Rio de Janeiro em 2007, com a Copa do Mundo em 2014 no Brasil e a possibilidade do país sediar os Jogos Olímpicos em 2016, os gastos no setor ultrapassaram pela primeira vez, desde pelo menos 2003, as despesas globais com cultura. O Ministério do Esporte, criado como pasta exclusiva no começo do governo Lula, conseguiu ver seus gastos e investimentos ultrapassarem os do Ministério da Cultura (MinC), que gozou nos últimos cinco anos de finanças maiores do que o vizinho.Vale ressaltar que a comparação engloba apenas os recursos orçamentários, sem considerar as verbas das leis de incentivo, das loterias e patrocínios das empresas estatais, tanto para o esporte quanto para a cultura. As duas pastas sempre “competiram” de forma saudável para aplicar os seus recursos.Em 2003, em termos orçamentários, o MinC gastava e investia mais. Naquele ano, foram desembolsados R$ 353 milhões pela pasta contra R$ 200 milhões aplicados pelo Ministério do Esporte (veja tabela). Apenas no ano passado, quando o Brasil foi sede dos Jogos Pan-americanos, o esporte foi mais bem contemplado com recursos dos cofres públicos. E o ritmo de aplicação vem se mantendo esse ano, principalmente por conta dos pagamentos dos chamados “restos a pagar”, recursos reservados em orçamento em anos anteriores, mas não pagos até o fim de 2007. Enquanto o montante desembolsado pela pasta do Esporte esse ano é de R$ 317,1 milhões, a Cultura aplicou R$ 293 milhões, uma diferença de R$ 24 milhões.

Os recursos globais autorizados em orçamento para o Ministério do Esporte também vêm crescendo gradativamente. Em 2003, estavam previstos R$ 561,7 milhões (em valores atualizados) para a pasta comandada, na época, pelo ministro Agnelo Queiroz. O montante foi inferior ao autorizado para a Cultura (R$ 611,7 milhões). Já para 2008, a verba autorizada é o dobro da registrada naquele ano, R$ 1,3 bilhão, e empata com a da Cultura. No ano passado, quando ocorreu o Pan-americano, o orçamento do esporte disponível também foi grande. Cerca de R$ 1,8 bilhão estava previsto para ser gasto e investido no setor. O principal programa desenvolvido pela pasta em 2008 é o “esporte e lazer na cidade”, que já recebeu R$ 102,8 milhões. Os recursos do programa servem para subsidiar ações de fomento a pesquisas, desenvolvimento de atividades para idosos, promoção de eventos, implantação e modernização de infra-estrutura, funcionamento de núcleos de esporte recreativo e de lazer, entre outros. Com a proximidade dos Jogos Olímpicos, o programa Brasil no esporte de alto rendimento, o Brasil Campeão, é o segundo mais bem contemplado com verba do Ministério do Esporte esse ano, com R$ 51,1 milhões recebidos. Um dos objetivos do programa é beneficiar 4,4 mil atletas de alto rendimento, além de subsidiar a capacitação de duas mil pessoas. A verba do programa também é usada para custear avaliação de atletas, pagamento de quase três mil bolsas, para a promoção e participação de 1,2 mil atletas portadores de deficiência, entre outros fins.No ano passado, por exemplo, o programa mais beneficiado com verba do esporte foi o Brasil rumo ao Pan, que recebeu R$ 836,6 milhões, ou seja, 62% de tudo que foi desembolsado pelo ministério em 2007 (em valores atualizados). Os dados citados na matéria, coletados no Sistema Integrado de Administração Financeira (Siafi), incluem despesas globais com pessoal, encargos sociais, pagamento de juros, despesas correntes (água, luz, telefone, etc.) e investimentos.O especialista em gestão e marketing do esporte da Universidade de Brasília (UnB) Paulo Henrique Azevêdo acredita que a criação de um ministério específico para o esporte foi fundamental para que as aplicações no setor crescessem. Segundo ele, entidades e pessoas do setor ansiavam por maiores gastos há muitos anos. “No início do ministério, em 2003, mesmo com o orçamento pequeno, o esporte envolveu uma grande quantidade de pessoas. A divulgação institucional do esporte brasileiro naquele ano também foi muito grande”, afirma.Azevêdo diz ainda que o ministério criou uma agenda de atividades para o setor, o que gerou, segundo ele, uma necessidade e uma exigência da sociedade para o esporte. “O Brasil foi um dos dez países que mais sediaram eventos no ano passado. A quantidade de realizações esportivas foi a que mais aumentou. É importante ressaltar também que a Lei de Incentivo ao Esporte, que entra em vigor esse ano, gera mais recursos para a área”, destaca.No entanto, de acordo com o especialista, era necessário que o país desenvolvesse um projeto integrado para sediar a Copa do Mundo, as Olimpíadas e o Pan-americano. “A mentalidade de projetos separados para cada evento é ruim. Precisamos repensar isso”. Para ele, o Ministério do Esporte deve ser um disseminador e incentivador. “As políticas tanto precisam chegar até a população de baixa renda quanto devem resultar também em promoção de eventos de qualidade”, conclui Azevedo.O Contas Abertas entrou em contato com o Ministério do Esporte para saber qual a posição da pasta diante desse crescimento orçamentário. No entanto, até o fechamento da matéria, a assessoria não comentou o assunto.Orçamento para Cultura também aumenta Não foi apenas o orçamento do Ministério do Esporte que cresceu nos últimos cinco anos. Os recursos previstos para o Ministério da Cultura também aumentaram no período. Em 2003, primeiro ano do governo Lula, a pasta comandada por Gilberto Gil tinha uma previsão de gastos de R$ 618 milhões, em valores atualizados. Para este ano, está disponibilizado quase R$ 1,3 bilhão para o órgão. Entre os principais programas da cultura estão “engenho das artes”, “cinema, som e vídeo”, “livro aberto” e “cultura, identidade e cidadania”. Lei de Incentivo ao Esporte gerou debate entre artistas e atletasA aprovação da Lei de Incentivo ao Esporte, no fim de 2006, que autoriza pessoas físicas a doar ou usar como patrocínio até 6% do imposto devido, e as pessoas jurídicas – empresas, clubes sociais, entidades de classe, entre outros – até 4%, o mesmo permitido para a cultura, foi polêmica. O debate surgiu com a manifestação da classe artística. Na época, eles argumentaram que se os atletas tivessem o mesmo benefício que os artistas têm, os patrocinadores iriam deixar de apoiar a cultura para apoiar o esporte.A rainha do basquete, Hortência, comentou que existe espaço para o apoio à cultura e ao esporte e a aprovação da lei é fundamental para promover inclusão social. “Temos orgulho do nosso cinema, dos nossos artistas, não estamos aqui para competir e sim para andar juntos. Chegou a vez do esporte. Esse apoio é importante para o desenvolvimento de atletas e cidadãos. Eu, por exemplo, só comecei no basquete por causa de um projeto social de uma prefeitura”, disse.Um dos argumentos dos artistas para que a lei não fosse aprovada era que a desvantagem seria que os atletas poderiam estampar a marca dos patrocinadores pelo corpo, o que no caso deles não poderia acontecer. Para Torben Grael, não há problema algum, pois os artistas têm outras formas para fazer a divulgação. “Eles podem usar cartazes e convites, que também são formas de divulgação. A lei é importante para a evolução do esporte”, comentou.O ex-nadador Gustavo Borges afirmou que as duas categorias não brigam pelo mesmo tipo de patrocínio e que na realidade existe espaço para todos. “O mer
cado se acomoda. É só ver no caso de concorrência, que nem é o que temos aqui, como o tempo as coisas se estabilizam. O perfil de patrocínio é diferente”, disse Leandro Kleber Do Contas Abertas

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