abr 30
A América Latina e o Brasil estão vivendo hoje um momento de efervescência e mudança política. As nações lutam para afirmar sua soberania e encontrar novos rumos para o desenvolvimento, libertando-se do jugo dos Estados Unidos e do FMI. A reeleição de Lula em 2006 foi mais um passo nesta direção.
O neoliberalismo deixou por saldo a estagnação econômica, desemprego em massa, desnacionalização da economia e retrocesso social. Sob o atual governo, a situação vem mudando, ainda que não no ritmo desejável. A produção cresce, o salário mínimo foi valorizado, o desemprego cai. Mas, resta muito a fazer. O Brasil é um país de grandes desigualdades e injustiças. A concentração da renda produzida pelo trabalho é escandalosa e não foi revertida.
Os mais ricos continuam acumulando grandes fortunas, beneficiando-se da política econômica e pagando pouco imposto. Os mais pobres carecem de saúde, educação e justiça.
É preciso que a classe trabalhadora adquira maior consciência política e se mobilize pelas mudanças. A união fará a força da nossa classe e está se forjando na luta conjunta em torno de cinco bandeiras: Redução da jornada de trabalho sem redução de salários; fim do fator previdenciário; ratificação das Resoluções 158 e 151 da Organização Internacional do Trabalho (OIT), que impede as demissões imotivadas e que garante aos servidores públicos o direito à organização sindical e à negociação coletiva.
Os patrões não querem perder, de jeito algum, o privilégio de demitir arbitrariamente, também são intransigentemente contra a redução da jornada, reforma agrária e outras bandeiras levantadas pelo movimento sindical.
Somente a intervenção consciente e enérgica dos trabalhadores e trabalhadoras no processo político nacional, poderá viabilizar mudanças mais profundas, barrar o retrocesso, ampliar os direitos sociais e impor novas derrotas às forças conservadoras e reacionárias.
Com unidade, consciência e mobilização vamos conquistar um novo projeto de desenvolvimento nacional, fundado na soberania e na valorização do trabalho.
Neste momento em que o sistema capitalista mundial atravessa mais uma grave crise, a partir do EUA, é também imperioso levantar neste 1º de Maio a bandeira maior da classe trabalhadora, o socialismo do século XXI, com a cara e as peculiaridades do Brasil.

1º de Maio 2008 – CTB Bahia

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abr 30

Nesta quinta-feira, 1º de Maio, trabalhadores de todo o mundo estarão às ruas comemorando o Dia Internacional do Trabalho. Data em que é importante refletir sobre os desafios às lutas dos trabalhadores, avanços e retrocessos nas últimas décadas, qualidade de vida e condições de trabalho, dentre outros pontos.

O 1º de Maio deve ser um dia especial para reivindicar. Embora a humanidade, nos últimos 150 anos, tenha conseguido avanços relevantes, os trabalhadores sabem que ainda há muito o que conquistar. No bojo dessa questão, a atual falta de regulamentação nos mercados mundiais contribui – e muito – para a exploração da força produtiva de bilhões de trabalhadores em todo o globo.

O atual modelo neoliberal carrega, implicitamente, conseqüências deletérias para os trabalhadores, segmento que mais sofre com as atrocidades do capitalismo. Altas taxas de desemprego, perversa exploração patronal e abissal concentração de renda são alguns dos efeitos que produzem, em seu âmago, um seleto grupo de pessoas altamente ricas em detrimento de uma maioria miserável.

Mas o 1º de Maio está aí. É dia dos trabalhadores no mundo saírem às ruas com o propósito de transformar a realidade atual. Karl Marx acreditava que a consumação da emancipação humana somente será possível pela união e ação dos trabalhadores. Destarte, cabe às entidades representativas dos trabalhadores – centrais, sindicatos, associações – se organizarem para quebrarem a espinha dorsal do sistema vigente, o que traria significativas conseqüências para a melhoria das relações de trabalho em escala mundial.

Para o bem da humanidade, é imperioso que todos os trabalhadores se insiram nesse processo contínuo de re-organização dos movimentos sociais para a construção de um outro mundo possível.

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abr 28

Missão, objetivo e harmonia.

Paulo Pires (*)

Depois do jogo Itabuna e Conquista, fiquei com a orelha ardendo. Pelo que ouvi do narrador Lula Alves, o nosso time não pareceu muito focado na partida. Não é necessário ser um grande analista de desempenhos profissionais, mas ouso dizer que os nossos jogadores estão na eminência de um reconhecimento público muito importante para as suas carreiras. Portanto, seria recomendável que todos compreendessem esse momento como uma transição (travessia) de grande valia para o futuro.

As grandes organizações empresariais quando admitem pessoas para integrar seu corpo de executivos, fazem tudo para que o novo integrante entenda a missão da empresa, seus objetivos operacionais, administrativos e sociais. O profissional é incorporado ao elenco sabendo o que é a empresa, o que ela pretende em suas atividades, quais são os seus valores, crenças, processos operacionais, e mais ainda, a função a ser desempenhada por ele, a partir da compreensão de suas atribuições e competências.
Em um time de futebol, a coisa funciona do mesmo jeito. Todos devem entender suas atribuições, missão, objetivos, espírito de colaboração e um elevado compromisso com a ética nos relacionamentos para que a agremiação deixe de ser apenas um conjunto de ilhas. Sabemos que cada pessoa representa uma ilha, mas se cada uma tiver a exata noção do conjunto, as ilhas isoladas se transformarão em um belo arquipélago e isso dará a cada uma delas a desejável dimensão de uma pátria em harmonia

O grito de guerra dos Mosqueteiros: “Um por todos e todos por um”, é uma exigência mais que necessário. Tantas e tantas vezes vimos empreendimentos irem abaixo, porque as pessoas que faziam parte do processo não atenderam a esse mandamento. Em toda associação humana faz-se necessária a uniformidade. A uniformidade procedimental é uma exigência básica para que o empreendimento saia contemplado com o êxito desejado.

Um grande botânico alemão disse que um sistema é “um conjunto de funções interdependentes”. Tem razão o germânico. As entidades, sejam elas de quaisquer naturezas, são sistemas. Como tal, acumulam funções que se interligam e se complementam de modo que quando uma falha ou não cumpre sua atribuição, a coisa vai por água abaixo. É preciso compreender a função social de uma agremiação esportiva. Olha quantas pessoas se deslocam de suas residências para assistirem a uma partida de futebol. Quantas pessoas vivem e se emocionam com o time. O futebol, assim como todas as atividades de entretenimento, não é apenas um passatempo. Possui um valor simbólico grandioso na vida do brasileiro.

Neste momento, mais do que em outros, é bom esquecer ambições individuais, bronca pessoal, inveja natural e sentimentos baixos. É hora de união. Hora de pensar no sucesso coletivo, na realização de todos, com todos, por todos e para todos. A vitória será o coroamento de um grupo, em uma época, de uma cidade e de toda uma sociedade. Sairemos vitoriosos e com a consciência de que cumprimos com desprendimento o objetivo almejado por todos.

Sairemos na Criptonita, Kabça Vazia, Gaviões do Jurema, Sangue Verde (ou é Mancha Verde?). Queremos o melhor. Mas só o conseguiremos na união. Depois do êxito é hora de ver quem tem bala na agulha ou uma quarta de farinha para tocar o barco prá frente. Se ganharmos, Tatu se valoriza. Ederlaine se valoriza. Elias se valoriza, Herzem se valoriza, o time se valoriza e, acima de tudo, a cidade de Conquista. Esta vai para o centro do debate esportivo nacional (queiram ou não alguns jornalistas esportivos de Salvador). É isso aí gente! União. Compreensão. Objetivos compartilhados e harmonia no elenco. Eu penso que a coisa é possível. Um abraço cordial e até a próxima vitória (contra o Vitória) quinta feira no Lomantão.

Paulo Pires (*) Professor UESB-FAINOR

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abr 25

Loucos e loucos

Paulo Pires (*)

Há poucos dias escrevi sobre coisas esquisitas que estão ocorrendo no mundo. No Brasil, a morte da menina Gabriela Nardoni deixou o País perplexo. Por causa de tanta doidice, passo os olhos sobre a nossa cidade, e me vêm à memória os “malucos” com os quais convivemos em tempos passados. Cheguei à conclusão que aqueles indivíduos categorizados como “doidos” não passavam de criaturas medianamente excêntricas, cujos comportamentos pessoais e sociais eram pouco convencionais em relação aos demais cidadãos da sociedade.

Dos “malucos” que conheci, lembro-me especialmente de Cafezim (pintado recentemente pelo grande Romeu Ferreira), Medõe, Vitório Cocão, Lilita, Balalaica e Mirréis. Para ser folclórico, diria que esses personagens simplesmente incorporaram aos seus espíritos outras formas de ver o mundo. As suas trajetórias atestam a minha afirmação. Durante suas existências constata-se que eles não fizeram mal a ninguém. O Cafezim era uma figura silenciosa, observadora e discreta. Medõe tinha o complexo de Maciste. Os meninos procuravam-no prometendo-lhe uma grana para que ele demonstrasse sua força dando cabeçadas em muros e paredes. O pequeno Medõe metia a cabeça na parede com toda a força e cobrava os “honorários” pelo seu trabalho. Só isso. Se alguém ficava com o chifre doendo, era o próprio e mais ninguém.
Vitório Cocão integrava-se como outro grande ator no primeiro time dos nossos “malucos”. Prá variar, não fazia mal a ninguém. A sua marca principal era a sinceridade. Cocão possuía uma liberdade enorme para revidar com palavrões às agressões que sofria principalmente de adolescentes e desocupados. Onde estivesse e ao lado de quem quer que fosse Vitório não deixava passar a oportunidade de mandar seu agressor ir tomar no Kubrix quando alguém o chamava pelo apelido. Ele não suportava o apelido: Cocão. Cá prá nós: O cabôco tinha uma cabeça de respeito. Embora não fosse um intelectual, no seu íntimo, creio, ouviu a voz do grande poeta americano e.e. cummings que em 1958 afirmou: “Não ser ninguém além de mim mesmo – em um mundo que está fazendo o possível, dia e noite para nos transformar em qualquer outra pessoa – significa travar a mais dura batalha que qualquer ser humano é capaz de travar e jamais parar de lutar”. O nosso “maluco” pensava assim: “Ele nascera Vitório, por que agora o chamam de Cocão?”. Eram palavrões e mais palavrões em resposta a uma sociedade que só o distinguia pelo formato de sua cabeça

Lilita era outra criatura notável. Sua forma de ser, poucos sabiam, escondia e revelava ao mesmo tempo uma grande declaração de amor a alguém que não a quis. Apaixonara-se por um dos nossos grandes poetas no final dos anos 40, início dos anos de 1950 e como não foi correspondida, renunciou ao mundo das convenções entregando sua vida à contestação molambenta adicionando a isso, um enorme desprezo irônico aos homens sem alma. Silenciosa e discreta, não falava palavrões, não dizia quase nada, mas o seu olhar fosco e longínquo denunciava ser ela alguém rejeitada por outrem. O seu ódio era contido porque ainda nutria esperança de um dia vir a ter aquele que não a quis. No fundo de suas divagações e embora não cantasse, ouvia uma canção da mesma época que dizia “O meu coração apaixonado, coitadinho tão calado, parece até que vai parar…” Lilita era mais ou menos assim. Morreu junto com a esperança.

Balalaica e Mirréis eram mais afortunados. O primeiro morava na hoje Praça Tancredo Neves, casa de Dona Henriqueta Prates. Lá gozava das gentilezas da casa. Como era um sujeito com pessoas sempre lhe cuidando, ficava o dia inteiro transitando entre a Alameda Ramiro Santos e a Praça da Bandeira. Em algumas ocasiões provocava alguns dissabores por causa de gripes fortes que lhe acometiam (Conquista naquela época era muito fria). Uma das últimas vezes que o vi, ele quase esvaziou a Alameda Ramiro Santos. Uma gripe forte pegou o nosso Balalaica e ele, na maior tranqüilidade, ficou zanzando prá lá e prá cá, com o nariz e a barba empestados de meleca. Prá ser curto e grosso: Era uma meleca tão verde que provocou nojo em todo mundo. Em mim também. Sinceramente, naquela noite não deu nem vontade de jantar. Depois eu falo de Mirréis.

Mas se você confrontar os nossos “malucos” com os que a gente tá vendo por aí, os nossos não passavam de anjinhos rumando para a santificação. O povo tá muito doido. Diante desse cenário, estou me sentindo um santo. Um santo meio pecador (como diria o grande Nelson Rodrigues). Mas que o povo tá muito louco, lá isso tá. Cuidado, reflita sobre as coisas. Não faça loucura para prejudicar os outros. Prejudique, quando muito, só a você. Isso é quase ético. Tenha fé. Seja parcimonioso, tenha tolerância. Ame e serás amado. O amor é lindo (como dizia o Laurindo). Um abraço cordial e até a próxima.

Paulo Pires
(*) Professor UESB-FAINOR

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abr 25

Eduardo Moraes

Diferente da previsibilidade de outros esportes, no futebol, o resultado é inteiramente imprevisível. Vejamos o exemplo de sucesso do Esporte Clube Vitória da Conquista, jovem equipe que em menos de três anos surpreende todo o Brasil, pelo seu dinamismo, organização e rápida ascensão à elite do futebol baiano, comandada por dinâmicos dirigentes e composta por jovens atletas e comissão técnica, todos comprometidos com o objetivo em chegar à elite do futebol brasileiro. Com o seu planejamento estratégico elaborado, missão e valores definidos, colocou-se a equipe em campo e já no segundo ano de participação no campeonato de futebol profissional, já conquistou antecipadamente a classificação para a série C do campeonato brasileiro, colocando a cidade de Vitória da Conquista como vitrine de um grande acontecimento, transformando a nossa “jóia do Sertão”, na nova sensação do futebol da Bahia. Entretanto, é lamentável a frieza com que as organizações empresariais e públicas tratam o momento tão especial para a cidade e o seu povo; parece que ainda não se deram conta do que está acontecendo.Diferente do que ocorre em outras praças esportivas do Brasil, a exemplo de Campinas-SP, onde toda a cidade, compreendendo a importância e o significado da conquista de um título de campeão estadual, se mobilizam para ajudar o time da Ponte Preta a conquistar o título paulista de 2008, (Só para o jogo em Guaratinguetá, foram colocados mais de 30 ônibus à disposição dos torcedores) mantendo uma grande equipe para a Copa do Brasil e série B, assegurando à volta de um representante de campinas a elite do futebol brasileiro em 2009.

Por aqui, exceto a torcida, os órgãos de imprensa e alguns poucos parceiros que acreditam na força e pujança desse novo trabalho, em desenvolvimento no Esporte Clube Vitória da Conquista, desde o início, não se observa movimentação mais enfática da Prefeitura Municipal, CDL, Associação Comercial, Associação Industrial e Comercial e outros seguimentos empresariais, que talvez não consigam mensurar as transformações e impactos que se encontra em curso, em nossa cidade e as imensas oportunidades de negócios que surgirão em toda região, com a conquista do título e a classificação da nossa equipe para a Copa do Brasil de 2009.
Temos tudo para alcançar esses objetivos, mesmo levando em consideração à imprevisibilidade do resultado em uma partida de futebol. No futebol de hoje só sobreviverão os que trilharem pelo profissionalismo.
Não há mais lugar para oportunistas, aventureiros ou aqueles que com o sucesso do trabalho se confessam apoiadores desse mesmo trabalho, desde criancinhas! É preciso respeitar a devoção, paixão, emoção e os mais variados sentimentos de todos, que de alguma forma estão envolvidos na busca de transformar sonhos em realidade e que ao final da jornada, possam gritar e cantar: “É Campeão, é campeão, é campeão”.
Venha, junte-se a nós, pois a vitória do Esporte Clube Vitória da Conquista, será de toda a cidade. O campeonato baiano de futebol está em sua reta final. Todos estão convidados também, a entrar nesta luta para conquistar o título. Dê a sua contribuição!

Eduardo Moraes
Vice-Presidente do
Esporte Clube Vitória da Conquista

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abr 25
CARLOS HEITOR CONY
É comum estabelecermos que o Bem está num lado e o Mal no outro

UMA DAS desgraças da humanidade é problemática, para não dizer insolúvel: milhares de leis, regulamentos, conceitos e preconceitos se atolam na dificuldade de definir o que seja uma e outra coisa, sobretudo no campo da moral e da filosofia.
Daí resultando que, com raras exceções, o Bem e o Mal se misturam e de tal forma se entrelaçam e confundem que tanto um como outro valor ficam dependendo de um ponto de vista não apenas subjetivo, mas ocasional, ou seja, temporário.
Um tal de Maniqueu criou a sua doutrina, separando rigidamente o Bem e o Mal, como se separa, na cozinha, um ovo de um tomate. Ambos têm características próprias, definidas, objetivas. Pode-se até misturar ovo e tomate numa salada, mas todo mundo saberá dizer, vendo um ovo ou um tomate: Eis um ovo! Eis um tomate!
Já com os conceitos do Bem e do Mal, o furo é mais em cima. Genericamente, eles se arrastam através dos povos e dos séculos, misturados, alternados, escassamente delineados em situações críticas.
Na última Guerra Mundial, por exemplo, ocorreu um desses raros momentos em que uma consciência razoavelmente sadia tinha elementos concretos para definir o que era o Bem e o Mal, dadas as circunstâncias do próprio conflito.
Na Guerra Mundial anterior, esta definição não foi tão nítida, havia diversas e contraditórias causas em jogo, a decisão de escolher o Bem e o Mal ficou reduzida ao campo estritamente patriótico, nacionalista.
A bandeira de cada país funcionava como divisor supremo das batalhas, tanto nas trincheiras como nas retaguardas.

Bem, esse comprido preâmbulo é para me perguntar se nas crises políticas e sociais que costumeiramente atravessamos, é comum estabelecermos que o Bem está claramente num lado e o Mal no outro, sem margem para qualquer dúvida ou torcida pessoal
A julgar pela mídia, em geral, a hipótese é afirmativa: o Mal está plenamente configurado num dos lados, seja na oposição ou na situação.
Os formadores e informadores de opinião decretam diariamente que é necessário separar o joio do trigo -tarefa que nem sempre é fácil, há que primeiro definir o que é o joio e o trigo.
Um dos maiores escritores norte-americanos, que por sinal acumulava as funções de jornalista dos mais populares, dizia que a imprensa procura sempre separar o joio do trigo para poder tranqüilamente publicar o joio.
Evidente que a opção pelo joio facilita as coisas. No caso que atualmente empolga a opinião pública nacional (o assassinato de uma menina de seis anos), o Bem está representado no pessoal que enche as ruas e promove manifestações contra os possíveis assassinos, escrevendo comoventes cartas às Redações.
A turma que fez vigília cívica e ruidosa diante da casa do pai e da madrasta da menina funcionou como um escalão avançado do Bem. Por sua vez, o pai e a madrasta são os agentes do Mal. Simples -ou elementar, como diria Sherlock Holmes para o Dr. Watson.
Já comentei, em crônica na página 2 (“Pavana para a menina morta”), que este crime hediondo no seio da classe média não pode ser inserido na onda de violência generalizada que a sociedade como um todo atravessa, bandidos contra mocinhos.
É um caso isolado daquilo que Machado de Assis, na última frase de “Memórias Póstumas de Brás Cubas”, chamou de “legado da nossa miséria”.
O Mal não é a ausência do Bem. É uma entidade própria, acoplada à condição do homem, nem sempre anulada ou disciplinada pela camada de civilização e moral imposta pela sociedade ou pela religião.
A metáfora bíblica colocou o problema logo no início da existência humana, na forma de uma árvore com os frutos do bem e do mal. Não foi a atividade sexual, como genericamente se acredita, a causa da perdição do homem.
O poeta Ovídio foi talvez aquele que melhor teve consciência dessa distinção do joio e do trigo: “Vídeo meliora proboque, deteriora sequor”. Vejo o Bem e o aprovo, mas faço o Mal.

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abr 24

Eduardo Moraes
Em abril de 1955, aos 22 anos, chegava à Vitória da Conquista, vindo do Ceará, para tomar posse como funcionário do Banco do Brasil, o jovem Lúcio Flávio V. Lima, que aqui ficou até 1968. Hoje, aposentado, reside na capital, Brasília – DF.
Nesta última quarta-feira, tivemos a honra em recebê-lo na redação do Piquete Bancário. Foi uma visita inesquecível, apesar do curto tempo. Falamos sobre o proposital rumo adotado pelo Banco do Brasil, com a sua política de “bradescalização”, onde as demissões, mesmo através de incentivos, contribuem para mudar a concepção de um banco público realmente a serviço do crescimento do país e diminuição da pobreza, o que nos escandaliza. Como é que os bancários ainda permitem que falsos dirigentes ou mesmo velhos pelegos, continuem a representá-los em entidades representativas como ANABB, dentre outras? O que está acontecendo com os combativos dirigentes sindicais, foi a indagação de Lúcio. Falamos ainda sobre o governo do presidente Lula, o melhor governo dos últimos cinqüenta anos do Brasil, que muito tem feito para redistribuir renda e melhorar o país, incluído pessoas e consequentemente dignificando nosso povo.

O que mais chamou atenção na conversa com esse grande combatente, é a sua coerência. Assim, como nas décadas de 1950/1960, aqui em Vitória da Conquista, Lúcio foi um persistente militante. Dirigente da cooperativa de consumo dos bancários foi um dos fundadores do nosso sindicato. Ativista das letras e por suas crônicas publicadas no Jornal de Aníbal Lopes Viana, Lúcio foi preso em 1964, quando do golpe militar, juntamente com José Luis de Santa Isabel – presidente do Sindicato dos Bancários, à época -, Raul Ferraz, Pedral Sampaio dentre outros. Em tese, concordamos que o golpe praticado pelos militares sucumbiu jovens lideranças e foi um dos responsáveis pelo atraso do Brasil em pelo menos 40 anos.
O editorial desta edição é dedicado a você, Lúcio, pela sua ainda ativa coerência e que o seu exemplo de coragem, luta, indignação, solidariedade e ação contra qualquer espécie de injustiça seja seguido pelos bancários, não só do Banco do Brasil, mas por todos os trabalhadores, onde quer que estejam, pois “os lutadores do povo que lutam todos os dias, são imprescindíveis”.
Editorial Jornal O Piquete Bancário de 24 de abril de 2008.

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